Filosofia clássica para formar filhos antes que o mundo deforme
Prof. Paulo Renato Lima · @prof.paulolima1844
Há um problema na formação dos filhos que quase nenhum pai enxerga. A resposta tem 2.500 anos. E começa com um rito de 15 minutos por dia: ler em voz alta e orar com o seu filho.
Em 1943, C. S. Lewis, então professor em Oxford, publicou A Abolição do Homem. O argumento é breve e incômodo: a educação moderna vinha formando a cabeça — informação, técnica, opinião — e abandonando aquilo que ele chamou de peito, a sede dos afetos ordenados, onde se aprende a amar o que é bom e a rejeitar o que é vil. Ao resultado ele deu um nome exato: homens sem peito.
“Removemos o órgão e exigimos a função.”
C. S. Lewis, A Abolição do Homem, 1943
Mais de 80 anos depois, o diagnóstico descreve uma geração inteira: domina ferramentas e não domina a si mesma; tem opinião sobre tudo e razões para quase nada; tolera mal a palavra “não”.
Nada disso começa na adolescência. Começa muito antes, nos dias comuns em que ninguém formou o afeto da criança — porque a escola cuida da cabeça, e todos supõem que o resto virá sozinho. Não vem. O que falta não é amor dos pais, nem caráter do filho. É formação. E formação tem método.
E começa por um livro. Na Jornada Filosófica, você cria o livro de filosofia do seu filho: um clássico reescrito com o nome e a idade dele, à luz da tradição cristã.
Criar o livro do meu filhoA elite nunca abandonou esse método. Apenas deixou de falar dele.
Fundação do Eton College, na Inglaterra, escola que formou cerca de 20 primeiros-ministros britânicos. Quase 6 séculos depois, o núcleo permanece: latim, grego, retórica, os clássicos, escrita exigente. O método que se costuma chamar de ultrapassado é o que a elite mantém a peso de ouro.
O princípio, porém, é gratuito. Ele se organiza em torno de uma chave e de 5 ideias — e todas terminam no mesmo lugar: a mesa da sua casa.
Toda tradição que atravessou os séculos se sustentou sobre 3 colunas. Uma família também.
A narrativa que diz de onde viemos, quem somos e para onde vamos. Para o cristão, a grande história da Criação, da Queda e da Redenção — e as boas histórias que a ecoam. Lewis chamou o Evangelho de “o mito que se tornou fato”.
Em casa: a leitura em voz alta.
Aquilo que a família repete sem que ninguém precise mandar: previsível na hora, constante nos dias, consistente na forma. O rito ensina com o corpo o que o sermão tenta ensinar com palavras.
Em casa: a oração e os 15 minutos diários.
Aquilo em que cremos, dito em voz alta, e as palavras que dão nome às coisas: o que é verdadeiro, bom e belo — e o que não queremos ser. É o que o filho saberá responder quando perguntarem por que sua família vive assim.
Em casa: a linha decorada, a pergunta do jantar.
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.”
Provérbios 22:6
Israel já fazia exatamente isso. O mesmo capítulo do Deuteronômio que manda falar das palavras de Deus “assentado em tua casa” — o rito — manda contar ao filho a saída do Egito quando ele perguntar — o mito — e ensinar-lhe os mandamentos — a doutrina. As 3 colunas sempre andaram juntas.
Gramática, lógica e retórica: primeiro o alicerce, depois a estrutura, por fim a voz.
As escolas medievais ensinavam as 7 artes liberais. As 3 primeiras formavam o trivium, “o encontro de 3 caminhos”. Em 1947, Dorothy Sayers, em conferência em Oxford publicada como As Ferramentas Perdidas do Aprendizado, observou que as 3 artes acompanham as fases naturais da criança.
A idade da memória. A criança gosta de repetir, nomear, decorar. É o tempo de guardar palavras, histórias, versos e fatos.
A idade do “por quê?”. Em vez de sufocar a discussão, ensina-se a argumentar: definir, comparar, encontrar o erro do raciocínio.
A idade da voz. O jovem aprende a dizer com clareza e beleza o que sabe e aquilo em que crê.
| Mito | Rito | Doutrina | |
|---|---|---|---|
| Gramáticaaté 10 anos | Ouvir e recontar as histórias da Bíblia e as fábulas até sabê-las de cor. | Leitura em voz alta e oração todos os dias, na mesma hora. | Decorar o Pai-Nosso, os 10 mandamentos, salmos e provérbios. |
| Lógica11 a 14 anos | Discutir as escolhas dos personagens: quem agiu bem, e por quê. | A pergunta do jantar, sem afirmar nada; o “não” sustentado. | Entender as razões da fé e reconhecer as falácias do mundo. |
| Retórica15 anos ou mais | Contar com as próprias palavras a história da família e da fé. | Conduzir a leitura e a oração da família em algumas noites. | Dar razão da esperança “com mansidão e temor” (1 Pedro 3:15). |
Mortimer Adler, em Como Ler Livros, reduziu toda leitura séria a 4 perguntas. Servem a um adulto diante de Aristóteles e a uma criança de 8 anos diante de uma fábula.
Aristóteles, no século 4 antes de Cristo, escreveu no livro 2 da Ética a Nicômaco que a virtude não nasce pronta nem entra por discurso: tornamo-nos justos praticando a justiça, e corajosos praticando a coragem. Um sermão sobre honestidade forma tanto quanto uma palestra sobre natação ensina a nadar. Por isso a educação clássica não termina na escola: continua na repetição de pequenos atos dentro de casa.
E se Platão, Agostinho e C. S. Lewis falassem com o seu filho pelo nome? É o que a Jornada faz: o clássico certo, na idade certa, em PDF ilustrado para ler em família.
Quero o livro deleDepois das artes da palavra, as artes do número: aritmética, geometria, música e astronomia.
Os medievais as estudavam por uma razão simples: o mundo foi criado com ordem, e quem aprende a ver a ordem aprende a reconhecer o Criador. A aritmética estuda o número; a geometria, a forma; a música, o número no tempo; a astronomia, a forma em movimento. Nenhuma das ideias abaixo exige formação técnica. Cada uma cabe numa noite da semana, no lugar de um dos passos do rito, ou numa manhã de sábado.
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”Salmo 90:12
Na feira ou no mercado, ele soma os preços e confere o troco. Toda semana, a mesma incumbência.
Dobrar, ou reduzir à metade, uma receita. As frações deixam de ser abstratas quando viram pão.
Um calendário na parede: quantos dias faltam para o domingo, para a Páscoa, para o Natal. O tempo contado torna-se história esperada.
“Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo.”Provérbios 8:27
Encontrar círculos, quadrados e triângulos em pratos, tábuas e azulejos. Depois, medir a mesa com o palmo e com a fita métrica: por que os números diferem?
Com compasso e régua, traçar a flor de 6 pétalas — a mesma geometria das rosáceas das catedrais.
Medir a própria sombra e a de um cabo de vassoura em pé. Segundo a tradição, Tales mediu assim a altura de uma pirâmide.
“Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor.”Salmo 150:6
Olhos fechados, 1 minuto de silêncio. Depois, cada um diz quantos sons ouviu, e quais. Escutar é a primeira lição de música.
Um hino antigo, cantado junto todos os dias da semana. A letra decorada é doutrina guardada.
Ouvir “Jesus, alegria dos homens”, de Bach, e contar os instrumentos. Bach assinava muitas partituras com S.D.G.: Soli Deo Gloria.
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.”Salmo 19:1
Numa noite limpa, luzes apagadas: procurar o Cruzeiro do Sul e as Três Marias. Um aplicativo gratuito de mapa do céu ajuda a começar — depois, guarde o celular e apenas observe.
Um binóculo comum já revela as crateras da Lua; um telescópio, ainda mais. A pergunta vem sozinha: quem acendeu essa luz?
Durante 1 mês, desenhar a Lua toda noite num caderno. Ao fim, ele terá descoberto as fases por conta própria. Um bom livro ilustrado de astronomia para crianças completa o estudo.
Conservar não é parar no tempo. É reconhecer que ninguém começa do zero — e que o seu filho também não deveria começar.
O conservadorismo, no sentido sério da palavra, não é partido nem nostalgia. É uma disposição diante da realidade: a sabedoria acumulada por gerações — nas instituições, nos costumes, nos valores que resistiram ao tempo — merece mais confiança do que a última ideia brilhante de um engenheiro social.
“A tradição é a democracia dos mortos. Significa dar voto à mais obscura de todas as classes, os nossos antepassados.”
G. K. Chesterton, Ortodoxia, 1908
Edmund Burke, em 1790, descreveu a sociedade como uma parceria entre os que vivem, os que já morreram e os que ainda vão nascer. Quem lê para o filho o livro que o avô leu está assinando essa parceria.
As coisas boas são facilmente destruídas, mas não facilmente criadas.Roger Scruton
Uma família, uma língua, uma fé e uma cultura levaram séculos para se formar. Podem ser desfeitas em uma geração — e quase sempre começam a ser desfeitas pela educação dos filhos. Daí o lema: seguir a novidade sem desprezar a tradição e a antiguidade.
As bases sobre as quais repousa o pensamento conservador. Escolha um número para ler o pilar e o que ele pede de uma casa.
A tradição clássica que chegou até nós foi guardada, ensinada e aprofundada pela fé cristã.
Sócrates, em Atenas: a vida sem exame não vale a pena ser vivida.
Aristóteles: a virtude se forma pelo hábito.
Santo Agostinho ensina os cristãos a pôr o melhor da cultura antiga a serviço da verdade.
Nasce em Bolonha a mais antiga universidade do Ocidente em funcionamento, fruto da Europa cristã que ensinava o trivium e o quadrivium.
Tomás de Aquino reúne Aristóteles e a fé na Suma Teológica: razão e revelação não se opõem.
C. S. Lewis, cristão e professor em Oxford, denuncia os “homens sem peito”.
A herança chega à sua mesa.
O conservadorismo não é artigo de fé, e a fé não é item de programa político. Mas nenhum dos 8 pilares é invenção moderna.
Citações bíblicas na tradução Almeida Revista e Atualizada.
Não é preciso virar professor nem montar uma escola em casa. É preciso saber o que fazer — e fazê-lo todos os dias.
É o que somam 15 minutos por dia em 1 ano. Só a leitura em voz alta, 7 minutos diários, passa de 42 horas por ano. Dos 4 aos 14 anos, são mais de 900 horas de formação que nenhuma escola dará ao seu filho.
“Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.”
Deuteronômio 6:7
Leitura em voz alta e oração
O restante deste guia é bom. Estas 2 coisas não se negociam. No dia corrido, na doença, em viagem: faça o rito mínimo, 5 minutos de leitura e 2 de oração. Pode-se encurtar. Não se interrompe.
É a repetição que forma: o que a família faz todos os dias, o filho entende que importa.
Escolha uma hora fixa — depois do jantar ou antes de dormir. O cronômetro conduz cada passo e soa discretamente na passagem de um para o outro. Com a tela sempre ligada, o celular pode ficar sobre a mesa.
O passo da leitura fica pronto: o livro do seu filho, com o nome dele, capítulo por capítulo. R$ 147 por ano no preço de Fundador (de R$ 197, até 31/10) (sai a R$ 12 por mês).
Criar o livro do meu filhoMarque cada passo cumprido. O registro fica guardado neste aparelho, sem cadastro, e recomeça a cada semana.
O método de Sócrates cabe numa mesa: em vez de afirmar, pergunte. E sustente o silêncio que vem depois — é o pensamento do seu filho trabalhando.
7 noites seguidas com a mesa sem telas e uma pergunta por noite. Na última, pergunte a eles qual conversa foi a melhor.
Tomás de Aquino chamava de vontade desordenada o desejo fora do lugar. Um “não” firme, sem ira, com uma frase de motivo — e mantido. A sustentação é a lição.
Ao terminar um livro, façam juntos as 4 perguntas. Comece pela última: o que isso muda na sua vida?
As idades são aproximadas: siga o seu filho, não o calendário. Os títulos marcados na estante estão na biblioteca pessoal do autor.
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei.”
1 Coríntios 11:23
Você agora conhece o problema, a raiz e o que fazer em 15 minutos. A maior parte dos pais ainda não.
O rito forma o seu filho. A Trilha forma você: uma jornada pelas ideias que moldaram o mundo, de Platão a Marx, de Agostinho a Burke. Quem pensou cada uma, o que ela fez com a história e o que a escola não conta.
Estações curtas e animadas, com desafios e recompensas, para 10 minutos por dia.
Na Jornada Filosófica, você escolhe um clássico (Platão, Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino, C. S. Lewis) e ele é reescrito para o seu filho: com o nome dele, na idade dele, lido à luz da tradição cristã. Sai em PDF ilustrado, pronto para imprimir e ler em família.
É o rito deste guia com o livro certo nas mãos.
R$ 147 por ano no preço de Fundador (de R$ 197, até 31/10) (sai a R$ 12 por mês) ou R$ 19,90 por mês.
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Seguir a novidade sem desprezar a tradição e a antiguidade.
Prof. Paulo Renato Lima · Guardião da Tradição
Doutorando em Filosofia (UEM) · Professor-autor de pós-graduação EAD
Doutorando em Filosofia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), onde também concluiu o mestrado em Biotecnologia Ambiental. Graduado em Filosofia, Engenharia Ambiental e Gestão Ambiental, com especializações em Filosofia, Política e Economia, em Ciências da Religião e em Biotecnologia Ambiental. Desde 2015 atua na pós-graduação a distância como professor-autor e coordenador acadêmico: soma mais de 1.000 horas de videoaulas gravadas, coordenou mais de 50 cursos de especialização em sete instituições, é autor de mais de 200 materiais didáticos e orientou mais de 180 monografias.
Ver Currículo Lattes ↗O livro do seu filho: jornadafilosofica.com